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2009: quebradeira menor que o previsto

Data 30/12/2009


2009 poderia ter sido bem pior para a indústria automobilística global, duramente afetada pelo tsunami financeiro detonado em setembro de 2008. Com a providencial ajuda de governos, boa parte dos mercados começa a voltar à normalidade.

Brasil, China e Índia desdenharam as marolas e causaram inveja aos países desenvolvidos com um demanda teimosa e em alta. Dos países do BRIC, a Russia está em pior situação, com vendas em baixa e cadeia de suprimentos desestruturada.

Na Europa a Volkswagen desponta como empresa do ano, em função do bom desempenho das vendas e da saúde financeira. A empresa mostrou força, vencendo a quebra de braço com a Porsche, finalmente absorvida.

No final do ano a marca alemã adquiriu 20% da Suzuki e anunciou que vai fazer uma pausa nas aquisições, mas é quase certo que haverá novidades na área de caminhões. Há expectativa de uma fusão envolvendo a MAN, dona da VW Caminhões, e Scania.

A maioria dos fabricantes europeus tradicionais ainda se esforça para afastar os efeitos da crise financeira. A Fiat e as francesas Renault, Peugeot e Citroën ainda estão longe de seus melhores dias, o mesmo valendo para as operações que apostaram no crescimento do mercado no Leste Europeu.

Na Ásia as empresas japonesas penam com o iene forte, que impede a retomada das exportações, mas o cenário é muito melhor para a Coréia do Sul e China.

No Brasil apenas o segmento de motocicletas desafina do conjunto da indústria, derrapando em problemas de crédito para as classes C e D. Os caminhões parecem ter encontrado, finalmente, a rampa de subida.

A Anfavea projeta novos recordes para 2010, quando devem ser emplacadas 3,4 milhões de unidades produzidas no País ou importadas.

A entidade estima crescimento da produção brasileira de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus ao nível 5,4% em 2010, para 3,39 milhões de unidades. Desse volume, 530 mil unidades devem ser exportadas. Asiáticos

2009 foi marcado pelo primeiro prejuízo registrado na história da Toyota desde 1950. A companhia assumiu a ponta do ranking de produção global em 2008, desbancando a Toyota. O balanço do ano fiscal da montadora que terminará em 31 de março próximo também deve fechar no vermelho. A empresa tem sido afetada pelas operações no Japão, prejudicadas pela força do iene, e nos Estados Unidos, onde as vendas caíram e foi necessário fazer um recall de 4 milhões de carros (incluindo Lexus) devido a problemas de aceleração indesejada com o amarrotamento do carpete.

Mereceram atenção em 2009, ainda, o vigoroso avanço da indústria automobilística chinesa, com um mercado interno generoso e investimentos contínuos em novos produtos.

No final de outubro a China havia ultrapassado a produção de 10 milhões de veículos produzidos desde janeiro e a Associação Chinesa de Construtores Automotores já apostava em uma produção anual ao redor de 12 milhões de unidades.

Estados Unidos

Nos Estados Unidos, que ocuparão o segundo lugar no ranking mundial de 2009, com a montagem de menos de 11 milhões de unidades, o panorama ainda é preocupante. As vendas internas só reagiram com estímulos do governo para a ‘troca do ferro velho por um carro novo’ e há dúvida sobre o comportamento do mercado em 2010 sem novo incentivo.

Detroit, ainda capital do automóvel, perdeu importância e glamour. O desemprego ronda as montadoras e um sem-número de fabricantes de autopeças só escapou da quebradeira com ajuda do governo e programas de pagamento antecipado das encomendas de componentes. As dificuldades se estenderam a nomes tradicionais, como TRW, Delphi, Lear, Dana, American Axle.

Depois de escaparem de quebrar graças a empréstimos bilionários do Tesouro, GM e Chrysler enfrentam dificuldades para se aprumar. As vendas da GM caíram 32% em novembro, sobre o mesmo mês de 2008, enquanto sua participação no mercado chegou a apenas 19,8%.

A GM despediu os CEOs Rick Wagoner (março) e Fritz Henderson (junho), colocando no comando Ed Whitacre Jr. A corporação não contará com marcas como Saturn e Pontiac (em desativação), Saab e Hummer (negociadas). A Opel foi preservada, depois de uma novela envolvendo a tentativa de venda para a Magna e o Sberbank russo.

Assim como a GM, a Chrysler saiu da concordata em tempo recorde e recorreu a joint venture com a Fiat para a recuperação. O desafio da marca é semelhante ao da outrora líder global de vendas: convencer o consumidor de que os tempos são outros e que a empresa é capaz de sobreviver com um portifólio de produtos renovado e atrativo.

A Chrysler deixou o Chapter 11 graças à intervenção do governo e elevou o incansável Sergio Marchionne, primeiro executivo na hierarquia do Grupo Fiat, ao posto de CEO. Nada menos que 55% das ações da companhia foram para o fundo de pensão do United Auto Workers (que tem 17% da GM). Outros 20% estão com a Fiat e o restante pertence aos governos dos EUA e Canadá.

A Ford percorreu outras rotas em 2009, longe dos tribunais de recuperação judicial. A empresa perdeu menos vendas que o mercado (19% contra 24%), lançou com sucesso o Fusion Híbrido, redesenhou o Taurus e prepara com entusiasmo o lançamento do novo Fiesta (produzido no México, possivelmente com a oferta do motor brasileiro Sigma).

A Ford possui 15,9% de participação nas vendas e vem surpreendendo o mercado com bons resultados – a ponto de encontrar dificuldades em negociar com o sindicato trabalhista as mesmas condições obtidas por GM e Chrysler.


Fonte: Automotive Business


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