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Renault Kwid: problemas com álcool e análise feminina

Data 15/05/2018

Troca de combustível deixa engasgado o pequeno Renault, mas consumo urbano revela ganho em eficiência

Texto: Felipe Hoffmann – Fotos: autor e Fabrício Samahá

 

Aproveitamos a terceira semana com o Renault Kwid para passar a usar álcool, como é praxe na seção Um Mês ao Volante — metade do teste com cada combustível em carros flexíveis. Foram 513 quilômetros de uso urbano com média geral muito interessante: 14 km/l. O melhor consumo foi de 15,7 km/l no trecho “urbano” de 70 km, com uso das marginais dos rios Tietê e Pinheiros e média de velocidade de 41 km/h. Já a pior marca foi em trajeto de penosos 17 km em uma hora de trânsito: 10,7 km/l. Essas indicações do computador de bordo têm sido comparadas ao consumo real na bomba; acusaremos a diferença média no final do teste, após maior número de enchimentos.

Como citado em outras avaliações, a diferença de poder calorífico entre o álcool e a atual gasolina E27 está na razão de 66%. Contudo, os dados oficiais da Renault, medidos conforme padrões do Inmetro — e ainda colados ao para-brisa —, indicavam melhor eficiência com o combustível verde: os valores com álcool representam 69% daqueles com gasolina o Inmetro usa E22, mas o teor de álcool não afeta o resultado em mais de 1%.

Isso sugere que o motor consegue aproveitar o benefício do álcool de permitir maior avanço de ignição sem detonar, ou seja, que o motor trabalhe mais próximo da eficiência máxima na verdade, o três-cilindros do Kwid também busca o máximo de avanço de ignição com gasolina, pois além do bom consumo nota-se, em raras e rápidas ocasiões, leve detonação. De fato, a  comparação entre nossos resultados no mundo real indicou relação de quase 69% entre os 15,7 km/l com álcool e os 22,8 km/l com gasolina.

 Renault Kwid Intense 25

Não foi culpa do motor de três cilindros e 70 cv: com erro de leitura do nível do tanque, o carro demorou a interpretar a mudança de combustível

 

Antes mesmo da troca de combustível, havíamos passado por uma situação estranha num dos abastecimentos: o indicador de nível do combustível continuou marcando que estava na reserva depois de enchermos o tanque. No dia seguinte o mostrador voltou a funcionar. Vale citar que no Kwid o indicador de reserva acende-se e o de autonomia para de marcar um tanto cedo, quando há no tanque cerca de 5 litros — quase 100 km de autonomia em nossa média de consumo urbano com gasolina. Percebemos também que o indicador de autonomia pega um tempo curto de uso para medi-la, não uma média longa, o que o faz oscilar mais que o usual.O erro de não indicar tanque cheio após completá-lo, porém, viria a se tornar um problema. A maioria dos carros flexíveis não tem sensor de teor de álcool no tanque, por redução de custo costuma vir apenas em motores mais sujeitos a danos por erros de mistura ar-combustível e avanço de ignição, como o TSI de 1,0 litro do Volkswagen Polo testado. Sem tal sensor, usa-se a leitura do sensor de oxigênio para os ajustes de mistura e avanço de ignição e para descobrir o combustível em uso.

Para que tal estratégia funcione bem, os sistemas eletrônicos habilitam o modo de reconhecimento de combustível quando há diferença no nível lido pela boia do tanque entre o momento de desligar o carro e o de religar a ignição — situação típica de quando se abastece. Como houve erro na leitura da boia do Kwid, o sistema não ativou o reconhecimento. Isso tornou a condução após o enchimento terrível, cheia de falhas e engasgos — típicos de falta de combustível, pois a relação ideal do álcool requer bem mais líquido injetado. Em seguida o sistema deve ter ajustado a relação pelo sensor de oxigênio, mas como se houvesse algum problema de alimentação, pois o avanço de ignição não se alterou.

Kwid Intense

Direção leve, alta posição de dirigir e boa resposta no trânsito foram elogios da colaboradora, que reclamou dos difusores de ar e da interface Bluetooth

 

Como resultado o motor ficou fraco e com grande hesitação durante as retomadas. Rodamos quase 10 km e nada de o sistema se encontrar — ou de o nível de combustível indicado se alterar. Então desligamos o motor, trancamos a porta e esperamos cinco minutos. Ao ligar o carro de novo o nível de combustível voltou a marcar certo, mas o motor continuou fraco e “estranho” por mais 15 minutos. O jeito foi voltar à garagem.

 

O rendimento com álcool representou 69% daquele com gasolina, sinal de que o motor consegue aproveitar o benefício do maior avanço de ignição sem  detonação

 

No dia seguinte a colaboradora Julia Pacheco, que usou o Kwid em seu trajeto pelas marginais paulistanas, ainda o achou estranho no trecho de ida, mas disse ter “voltado ao normal” na volta ela já o havia dirigido com gasolina. O consultor Felipe Hoffmann então pegou o carro e notou que ele, finalmente, se adaptara ao combustível. As impressões de Julia foram, de maneira geral, positivas para um carro do segmento de entrada. Ela adorou o enorme porta-luvas e a posição mais alta de dirigir. Elogiou a suspensão bem acertada para vias de baixa qualidade de asfalto, o bom compartimento de bagagem, as respostas ao acelerador na cidade e a direção leve para uso urbano, assim como o sistema de áudio com ampla tela 7 pol e simples de usar.

Entre os pontos negativos apontados pelo olhar feminino estão a má qualidade de som ao telefonar pela interface Bluetooth: os ruídos não são filtrados pelo sistema como o telefone faria, o que leva ao interlocutor ruídos de motor, vento e pneus, muito presentes no interior do Renault. Julia achou o ar-condicionado potente o suficiente para o carro, mas entende que a velocidade 1 produz mais ruído e fluxo de ar que o desejado. Notou também não haver estanqueidade total dos difusores centrais ou mesmo do direcionamento entre os ocupantes e para-brisa: há sempre ar saindo para o vidro, mesmo com outras opções selecionadas.

 Renault Kwid Intense 60

Renault Kwid Intense 59

Eficiência do álcool em relação à gasolina, no trajeto usual, foi similar à prevista pelos dados Inmetro; computador perdeu-se e indicou média de quase 300 km/h

 

A colaboradora também apontou um incômodo mecânico: certas vibrações do motor em condições de baixa rotação e alta carga abertura de acelerador. É interessante notar que, mesmo se podendo rodar com 1.500 rpm de modo mais econômico, o indicador de troca de marcha sugere a redução. Provavelmente o sistema tenta induzir o motorista a sair da região em que se transmite mais vibração e ruído para o interior.

Um problema menor, mas também curioso, do Kwid foi o computador de bordo perder alguns dados e mostrar resultados errados na tela sem motivo. Aconteceu duas vezes após desligar o carro e religar em alguns minutos — abastecimento e visita a uma loja. A velocidade média foi para o máximo da sua escala juramos que não andamos com ele a 299,9 km/h! e a quantidade de litros consumidos e o consumo médio foram zerados. Por sorte os dados haviam sido anotados. Ainda, em algumas medições a velocidade média indicada não bate com a distância e o tempo de uso, o que nos obriga a conferi-la. E pelo menos em uma ocasião o indicador de troca de marcha se perdeu: sugeria trocar quando se estava em quinta e não aparecia ao forçar rotação baixa.


Fonte: UOL Carros / Best Cars

Esta notícia foi marcada em Mercado Automotivo


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