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Caoa deve ficar sem Hyundai e prepara "virada": isso explica Caoa Chery

Data 13/11/2017

Imagem: Leonardo Felix/UOL




Fernando Calmon

Colaboração para o UOL, em São Paulo SP

13/11/2017 14h29

Anunciado no sábado 11, acordo de cooperação assinado pelo grupo brasileiro Caoa e pela chinesa Chery para lançar a nova empresa Caoa Chery teve base financeira de US$ 60 milhões quase R$ 200 milhões por 50% do negócio da marca chinesa, que inclui a fábrica de Jacareí Grande São Paulo, importação e comercialização. Por trás da negociação, que já poderia ter saído no começo do ano, pode estar estratégia de "virada": a gigante sul-coreana Hyundai deve encerrar parceria com Caoa em breve, levando o grupo brasileiro a apostar rapidamente em saída. E esta saída pode ser interessante, ainda que traga muitos desafios.

A Chery já investiu no Brasil US$ 530 milhões na unidade industrial para 50.000 veículos/ano em dois turnos, além da montagem de motores. Mas nunca utilizou nem 20% dessa capacidade em razão da queda do mercado nacional e da imagem negativa dos produtos chineses. Vende atualmente New QQ e Celer hatch e sedã. 

Agora a administração total do negócio caberá ao grupo brasileiro que, além de operar uma fábrica em Anápolis GO, onde produz os Hyundai ix35, Tucson e caminhões leves da marca sul-coreana, importa modelos Hyundai e Subaru. Também tem rede de concessionárias das duas marcas orientais e da Ford.

Em toda sua história cerca de 35 anos de mercado, a Caoa ultrapassou a marca de 1,2 milhão de veículos vendidos de diversas marcas.

Caoa sem Hyundai

Correia informou que os modelos Chery atuais, os que estão próximos de serem lançados como SUV Tiggo 2 e sedã Arrizo 5 e futuros produtos poderão tanto ser produzidos na fábrica da Chery, como na unidade que opera há 10 anos em Anápolis. Lá o grupo já investiu R$ 2,5 bilhões e construiu recentemente um Centro de Pesquisa e Eficiência Energética.

A empresa brasileira pretende investir, segundo um comunicado oficial, US$ 2 bilhões quase R$ 7 bilhões nos próximos cinco anos, com recursos próprios. Mauro Correia, presidente executivo do grupo, espera que a Chery capture até 5% do mercado brasileiro. Meta ambiciosa pois Nissan e Jeep, que têm avançado bem no Brasil nos últimos anos inclusive no período de crise, respondem por apenas 3,5% e 4%, respectivamente, de market share. PSA Peugeot e Citroën, com mais de 15 anos de história no Brasil e "tradição europeia", têm ainda menos: 2,2%.

Essa revelação vem ao encontro de rumores que em breve a Hyundai não deve renovar o acordo de produção e importação dos produtos coreanos por parte da Caoa. A Hyundai, que fábrica seus modelos compactos linha HB20 e Creta em Piracicaba SP, deve ficar totalmente responsável também por seus modelos médios. 

Especula-se que haveria um período de transição, dando tempo para consolidação e expansão da linha Chery sob responsabilidade do grupo brasileiro. Esssa expansão, ainda segundo rumores, incluiria modelos elétricos desenvolvidos pela própria Caoa em colaboração com a Chery.

Como dito, há desafios, mas ver empresa chinesa interessada em vender negócios para grupo brasileiro, quando estão comprando empresas no restante do mundo, é algo extraordinário. Vale a pena observar o desfecho da ação no decorrer dos anos.



Fonte: UOL Carros

Esta notícia foi marcada em Mercado Automotivo


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