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Perspectivas 2016: Mercado de caminhões - Carga de expectativas

Data 30/12/2015

Ilustração: Afonso Carlos/Carta Z Notícias

Previsões para 2016 são variadas e instabilidade econômica preocupa executivos do setor de caminhões

por Márcio Maio
Auto Press

Quando 2015 começou, as expectativas no mercado de caminhões apontavam estabilidade diante da queda registrada em 2014, de cerca de 12%. Mas a realidade foi bem diferente. A retração chegou à casa dos 50%, algo inimaginável até então. Um resultado que acaba por gerar muita cautela na hora de tentar especular sobre o comportamento da indústria em 2016. “Muito difícil fazer previsões no ambiente econômico em que vivemos hoje. O Brasil precisa de medidas macroeconômicas que controlem a inflação e as elevadas taxas de juros. Temos de retomar o crescimento econômico e despertar a confiança dos investidores para realizar novos negócios no país”, aponta Roberto Leoncini, vice-presidente de Marketing, Vendas e Pós-Venda de Caminhões e Ônibus da Mercedes-Benz do Brasil. 

Mesmo com os maus resultados, há quem adote uma visão otimista. “Acreditamos que teremos um cenário mais animador, com início da estabilidade política e consequentes medidas que ajudarão o Brasil a impulsionar a economia e, sobretudo, a confiança dos compradores. É provável que enxerguemos um leve crescimento, de 3% a 5%, a partir do segundo semestre”, torce Ricardo Alouche,  vice-presidente de Vendas, Marketing e Pós-Vendas da MAN Latin America. Ricardo Barion, diretor de Marketing da Iveco para a América Latina, engrossa o coro. Mesmo sem citar números, o executivo também prevê tempos menos difíceis. “Devemos ter uma leve melhora em segmentos que atualmente registram quedas expressivas, como o de pesados. O mercado estará mais adaptado à nova realidade econômica”, avalia. 

Na contramão desse pensamento, a Scania não vislumbra crescimento. Ao contrário: a marca sueca já espera uma retração significativa nas categorias em que atua. “Imaginamos que o mercado acima de 16 toneladas, fatia relativa aos semipesados e pesados, deverá ser 10% menor do que foi em 2015”, antevê Victor Carvalho, diretor de Vendas de Caminhões da Scania no Brasil. Por isso mesmo, a estratégia da fabricante deve permanecer próxima à maior parte do setor: concentrar o máximo de serviços possível para ofertar aos clientes e, assim, garantir perdas menores com o incremento dos resultados do pós-venda. “Vamos trabalhar cada vez mais com propostas estruturadas, que englobem produto, serviço, solução financeira e seguro”, entrega Victor. 

A Mercedes-Benz também promete intensificar a atenção na relação com seus clientes em 2016. A marca alemã antecipa algumas das novidades planejadas para este ano. “Teremos três novos serviços diferenciados. O Veloz, serviço rápido de manutenção em até uma hora no concessionário, além de oficinas próprias nas instalações de grandes frotistas e em postos de combustíveis nas estradas, em parceria inédita com a rede Ipiranga”, adianta Roberto Leoncini. 

Alguns fatores, no entanto, podem ajudar o Brasil a conquistar alguma melhora nesse segmento. E o principal é uma unanimidade na lista de estímulos para o crescimento nas vendas de caminhões: o incentivo do poder público. “A aprovação do ajuste fiscal, o anúncio de concessões feito pelo Governo Federal e uma safra recorde podem trazer a confiança de volta ao mercado”, pontua Barion, da Iveco. Além disso, outra questão que já virou clichê na batalha pelo lucro na indústria de caminhões é a do financiamento. De qualquer forma, todas as fabricantes garantem que os números atuais são suficientes para deixar o Brasil na lista de suas prioridades globais. “O mercado brasileiro é muito forte e a Iveco aposta que o país possui todas as condições para crescer, com bases firmes”, defende Barion.


Fonte: UOL Carros

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