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Mercado automotivo não espera ressaca da ´festa´ de 2007

Data 31/12/2007

Arionauro/Carta Z Notícias

Arionauro/Carta Z Notícias

Da Auto Press

O ano de 2007 vai se tornar um marco na indústria automobilística brasileira. Caso as projeções de crescimento em 2008 se concretizem, o ano que passou terá marcado o início de uma evolução de fato para setor. Isso porque 2007, com as 2,45 milhões de unidades vendidas no mercado interno, quebrou um recorde de dez anos e registrou um espantoso aumento de 27% em relação a 2006.

E as projeções para este 2008, segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), apontam para 2,88 milhões de unidades vendidas, o que representará um incremento de 17,5% no mercado interno. A produção alcançou 3,24 milhões, quase 9% a mais que as 2,97 milhões de unidades feitas em 2006.


"Acredito na manutenção da atual política monetária. O crédito vai se expandir e isso vai manter o crescimento do mercado", avalia Jackson Schneider, presidente da Anfavea. Já Carlos Ghosn, presidente e CEO da Renault e Nissan, se mostra mais comedido. "O mercado brasileiro deve crescer acima de 10% em 2008. Como tem produtos novos e de qualidade, a Renault crescerá acima desse patamar e vai ganhar participação", diz.

Sejam mais ou menos otimistas, as previsões levantam algumas dúvidas e preocupações. Economistas e especialistas temem que o mercado de automóveis no Brasil chegue a uma saturação com tanto crédito. O nível de endividamento do consumidor com os veículos pode fazer com que o cliente não renove a frota e deixe de comprar, gerando uma retração de mercado.

"O mercado está recebendo milhões de novos consumidores que vêm de uma classe que não tinha carro. Temos de lembrar que o Brasil tem 180 milhões de habitantes, e que um setor de 3 milhões de unidades vendidas não é tão excepcional", afirma José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da General Motors.

Carros em falta
Outra preocupação com a forte demanda é o abastecimento. Há filas de espera de até três meses para se receber determinados modelos. Com o esperado aumento das vendas, a capacidade industrial do país terá de acompanhar este ritmo. Há investimentos previstos.

Várias fábricas inauguraram terceiros turnos em suas linhas de montagem, como a PSA Peugeot Citroën, em Porto Real (RJ), e a Honda, em Sumaré (SP). "A gente não chegou ainda à saturação da capacidade produtiva. Há é uma inércia da capacidade. É preciso situar onde estão os gargalos e administrá-los", receita Michel Bernardet, diretor comercial da Citroën.

"Estávamos limitados por conta do fornecimento. A ampliação da fábrica foi concluída só em agosto", emenda Alberto Pescumo Filho, gerente geral comercial de automóvel da Honda.

DADOS DO MERCADO

A produção de veículos também bateu mais um recorde, com 3,24 milhões de unidades produzidas. Perto da capacidade produtiva estimada hoje no país, que é de 3,5 milhões de unidades/ano.
Nas quatro principais montadoras do país, o índice de financiamento dos veículos vendidos beira os 90%.
A fábrica da Honda em Sumaré tem 65% de sua área ocupada e a montadora não descarta aumentar as instalações para ampliar a capacidade de produção.
A General Motors vai investir US$ 500 milhões no Mercosul em 2008. São US$ 300 milhões para a unidade de São Caetano do Sul - US$ 200 milhões para a fábrica do ABC Paulista e o restante para a engenharia - e outros US$ 200 milhões para a planta de Rosário, na Argentina.
Até outubro, o montante liberado pelo Sistema Financeiro Nacional para financiamento de veículos somava R$ 54,5 bilhões, 29,4% a mais que os 10 primeiros meses de 2006.

O otimismo é tão grande para este ano que os executivos do setor nem pensam em prazos maiores de financiamento. Apontado como um dos fatores para o crescimento do mercado interno, até outubro de 2007 as vendas a prazo respondiam por 72% do total de negociações de automóveis e comerciais leves no país, segundo dados da Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras).

Hoje, é possível parcelar um carro em até 84 prestações -- no caso da Ford. Mas os planos mais utilizados se concentram entre 36 meses e 48 meses. "Podem ter alguns planos de 99 vezes e até de 120, mas isso é mais uma ferramenta de marketing. Numa economia estável vão surgir outras modalidades de comercialização, e acredito que o leasing vai ganhar força", aposta Ricardo Fischer, supervisor de planejamento de marketing da Renault.

Choro pontual
Mas como o setor não consegue deixar as lamúrias de lado, além das queixas já redundantes sobre o apetite fiscal do estado, as montadoras reclamam das exportações. O dólar desvalorizado frente ao real é a razão principal para justificar a queda nas vendas para fora do país. O recuo foi de 7,5%. Foram 780 mil unidades exportadas em 2007 contra 843 mil unidades em 2006.

No entanto, a receita das fabricantes com as vendas para fora não foi afetada. Pelo contrário. Subiu de US$ 12,1 bilhões para US$ 13 bilhões, um aumento de 7,4%. Para o ano que vem, para justificar a choradeira, a previsão é de 740 mil unidades, redução de 5,1%. "No nosso caso, aumentamos o valor unitário, aumentamos o preço e o volume caiu. A tendência é essa. Se o dólar é flutuante, a exportação também será", encerra Pinheiro Neto, da GM. (Fernando Miragaya)

Vinda de importados deve crescer mais de 40% este ano

Enquanto a queda do dólar serve de pretexto para as fabricantes de automóveis no país chiarem, 2008 promete uma grande quantidade de modelos importados. Devem desembarcar por aqui mais de 40 novidades até dezembro do próximo ano, entre produtos inéditos no Brasil, reestilizações e novas gerações de modelos que já são trazidos.
Só este ano, 262 mil unidades entraram no país, sendo mais de 240 mil de veículos vindos do Mercosul e do México - os automóveis dos países do bloco comercial são isentos de taxa alfandegária, enquanto os mexicanos pagam simbólicos 1%.
A expectativa é que, para este 2008, sejam 380 mil unidades, o que vai significar um aumento de 43,4%. "Os importados terão um aumento significativo por causa do câmbio", avisa Jackson Schneider, presidente da Anfavea.
Já a Abeiva (Associação Brasileira de Empresas Importadoras de Veículos Automotores), que reúne seis marcas, tem a expectativa de fechar o ano com 12 mil unidades vendidas. Até novembro, foram 10.852 unidades, contra 5.394 no mesmo período de 2006, um aumento de pouco mais de 100%.
No setor dos importados, as razões apontadas para o crescimento são parecidas com as do mercado interno. "Registramos esse crescimento graças ao acesso do consumidor ao financiamento e às taxas de juros mais aceitáveis", afirma José Luiz Gandini, presidente da entidade.


Fonte: UOL Carros


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